c á p s u l a
De tanto sonhar a leveza, projectada a sós, na vastidão do desprendimento, tentei fazê-lo por palavras, se bem que incerto na forma. Pensei que me soubesse ouvir, reflectir, projectar-me mais além. Resultei em falha, todo um sentimento que agora lavra, sem protocolo, tornando volátil qualquer tentativa de refrear. Uma brecha, os olhos que cerram e cessa o mundo. Não trago sossego nem me faço acompanhar de um plano. Sem me ter perdido, sem ser achado, é uma demora expressa no corpo, na certeza que a finitude trará alento, porque o desconsolo apenas alimenta a mão que me agarra ao fundo e, se me findo, resultarei em inacabado. De tanto sonhar a leveza, projectada a sós, deparei-me na repetição, com a finalidade de sabotar qualquer redundância. Filho, hoje não és um composto, nem resultado, nem sedimento. Transporto a distância, sem finalidade, grassa a ineficácia, desmantelar o que me resta de estrutura , por dentro das horas que, pouco a pouco, se adensam no peito. Sem que me dissolva, resulto nulo, perseguindo a própria cauda, sombras, falsas memórias e outros vultos. Tudo o que resta, em órbita de um espaço que hoje não ocupo, é contemplar desde aqui, o quanto pesa dizer-me.
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